
Nasce este poema na alvorada dos sentimentos
quando remexo na memória dos dias ausentes!
Todo este poema adormece quando a saudade
me anoitece os sentidos!
Nasce este poema na brisa que toca as asas
da gaivota pousada no mar!
Todo este poema digere a saudade
quando o teu sorriso me toca!
Procuro neste poema dar-te o mar, a serenidade,
a paz, plantando em ti tudo que nos rodeia!
Nasce este poema…
porque as memórias são lindas e se guardam!
@{{coral}}
... escrevinhando...

Para atravessar contigo o deserto do mundo
Para enfrentarmos juntos o terror da morte
Para ver a verdade para perder o medo
Ao lado dos teus passos caminhei
Por ti deixei meu reino meu segredo
Minha rápida noite meu silêncio
Minha pérola redonda e seu oriente
Meu espelho minha vida minha imagem
E abandonei os jardins do paraíso
Cá fora à luz sem véu do dia duro
Sem os espelhos vi que estava nua
E ao descampado se chamava tempo
Por isso com teus gestos me vestiste
E aprendi a viver em pleno vento
Sophia de Mello Breyner Andresen
In "Livro Sexto"
(1962)
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